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Artigo de Macos Cintra sobre a CSS

Amor e ódio
Marcos Cintra

Tenho uma relação de amor e ódio com a CPMF. Esse sentimento contaminou minha avaliação sobre sua recriação, denominada agora de CSS para financiar o sistema público de saúde. A CPMF, ou IPMF como foi originalmente denominado o tributo, derivou da proposta do Imposto Único sobre movimentação financeira que idealizei em 1990. A idéia inicial era acabar com todos os tributos arrecadatórios e substituí-los por apenas um imposto que seria cobrado sobre as transações nas contas-correntes bancárias. Mas o que deveria ser um tributo único se transformou, de modo oportunista, em um imposto a mais a infernizar a vida dos contribuintes, gerando compreensível insatisfação da sociedade.

A CPMF foi afronta aos princípios filosóficos do Imposto Único. Mas teve um lado positivo ao testar a eficácia de um imposto sobre movimentação financeira, que era então totalmente desconhecido. A experiência comprovou que esse tipo de imposto consiste em uma forma eficiente de arrecadação, com enorme potencial de geração de receita e de baixo custo, e absolutamente justo, pois elimina a evasão de tributos, fenômeno concentrador de renda nas camadas mais ricas da população.

Hoje o governo fala em criar a CSS. Apesar de ser bom tributo, o “imposto do cheque” foi travestido de vilão. Houve mesquinharia política e outras razões menos nobres para explicar por que condenaram a CPMF — referida pelo renomado tributarista Vito Tanzi como uma das mais importantes inovações tecnológicas tributárias dos últimos anos — a assumir o papel de bode expiatório de todas as mazelas tributárias nacionais. Análises incompletas e equivocadas foram manipuladas para serem tidas como verdadeiras e hoje poucos têm a coragem de defender esse tributo apesar de suas reconhecidas qualidades.

Contudo, cabe lembrar que a CPMF é repudiada se for um tributo a mais a elevar a carga tributária brasileira. Porém seria aceita pela sociedade se fosse instituída como substituta de outros tributos. Levantamento realizado pela empresa Cepac (Pesquisa & Comunicação) revela que 64% das pessoas a aceitariam se ela substituísse, por exemplo, a contribuição ao INSS incidente sobre a folha de pagamento das empresas.

Assim, fico dividido quanto à CSS. Trata-se de tributo justo e eficiente, mas aumenta a carga tributária e permite a continuidade do esfolamento do contribuinte brasileiro. Pesando os argumentos a favor e contra, coloco-me contrário à sua criação.

Em primeiro lugar, sou contra a CSS por ela não substituir nenhum dos atuais impostos, que são escorchantes, injustos, distorcivos e ineficientes. Como ocorreu com a CPMF, trata-se de criar mais um imposto e, nesse sentido, não concordo com a intenção do governo de aumentar o arrocho tributário sobre o setor produtivo e a classe média.

Em segundo lugar, porque o governo precisa fazer ampla e radical reforma tributária e qualquer remendo, por mais necessário que seja, apenas dará mais fôlego para a manutenção da atual estrutura, falida e disfuncional. É preciso coragem para desmontar o atual modelo. Dar-lhe continuidade através de tributo que será arremedo de solução apenas postergará o sofrimento do contribuinte.

Em terceiro lugar, manter o atual sistema, amparado pelas muletas da CSS, agravará as distorções sociais e econômicas que uma reforma tributária deveria corrigir. Uma das forças concentradoras de renda no Brasil encontra-se na estrutura de impostos, profundamente regressiva e vulnerável à evasão. Os ricos encontram brechas para sonegar impostos e os trabalhadores são punidos de forma compensatória pagando mais tributos por conta do elevado ônus sobre os salários e sobre o consumo. No momento em que se busca o fortalecimento do mercado interno de massa, nada seria mais eficiente do que um modelo tributário capaz de fazer os atuais contribuintes pagarem menos imposto e os sonegadores começarem a pagar a sua parte.

A CSS é agressão ao contribuinte brasileiro e deve ser rejeitada pela sociedade, mas, se houver coragem e determinação para se fazer ampla reforma tributária, tornando a movimentação financeira a principal base impositiva, o quadro muda radicalmente, e toda a sociedade deve bradar um sonoro sim a essa forma de tributação.

*Doutor em economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas

O texto acima está na íntegra e foi recebido por e-mail.

Opinamundos (comentário)

A CPMF foi um excelente ensaio do imposto eletrônico - idealizado pelo professor Marcos Cintra, ardente defensor do Imposto Único Federal - apenas pelo lado modernizador, regulador /fiscalizador e eficiente de arrecadação, porém um péssimo imposto cumulativo e oportunista utilizado pelo governo para bancar seus esbanjos com os famosos cartões corporativos entre outras falcatruas.

Se a CSS ressucitar esse lado perverso deste moderno imposto, que todas as barreiras políticas se levantem contra ele, agora se a sensatez e a coragem, como disse acima Marcos Cintra, vier a prevalecer nesta questão, então que se faça uma reforma profunda no sistema tributário, admitindo até mesmo, sem o menor pudor, possíveis anistias e inclusão imediata da informalidade no sitema de contribuição, como forma de zerarmos o Brasil arcaico/corrupto/autoritário em troca de um Brasil Moderno/eficiente e acima de tudo verdadeiramente democrático.

Cidadania para Todos!

Imposto Único, Renda Mínima e Voto Eletrônico Biométrico = Brasil Moderno

Alex Campos
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Insustentável Leveza do SER - O Eterno Retorno


Extraido na íntegra do blog Pequena Infante de Agatha Brandão:

Quando escrevi um post sobre a leveza do ser - e sua inconstância - descobri um interesse pelo livro " A Insustentável Leveza do Ser", uma obra deslumbrante, estou encantada. O autor, Kundera, apresenta abordagens filosóficas que me atrairam muito, entre elas, se destaca o princípio do Eterno Retorno de Nietzsche, que, por incrível que pareça, consegue resumir muitos conceitos que penso:

O Eterno Retorno

Kundera entrevê na noção de Eterno Retorno da filosofia nietzscheana a escapatória para o arrependimento que pode decorrer da escolha entre a leveza e o peso, o comprometimento e a liberdade pura. Kundera explica a idéia de Eterno Retorno no início do livro, no primeiro capítulo da primeira parte. Em linhas gerais, a idéia diz respeito à possibilidade das situações existenciais repetirem-se indefinidamente no tempo, por força de uma finitude das possibilidades frente a infinitude do tempo. O que parece um fundamento cosmológico vazio ganha implicações éticas imensas na perspectiva de Kundera: uma vida que desaparece não tem o menor sentido.

A própria história humana só é tratada com descaso pela própria humanidade por força de sua linearidade. Uma mentalidade educada sob a perspectiva de uma história cíclica, repetindo indefinidamente, dificilmente deixaria escoar no vazio a própria vida. O argumento do Eterno Retorno assume então uma face de "convite à vida", com suas alegrias e mazelas. De modo rasteiro, a idéia do Eterno Retorno convida o homem a fazer a vida valer a pena de ser vivida.

A teoria do Eterno Retorno, a ideia mais radical da filosofia de Nietzsche, apresentada pela primeira vez explicitamente no Zaratustra, é condição essencial para a superação do niilismo, a relação afirmativa do homem com a vida. Zaratustra quer superar a crença na oposição de valores.Dois aspectos da doutrina do Eterno Retorno:1) Doutrina Física/Cosmológica do Eterno Retorno: há um movimento circular do tempo e das coisas. Tudo volta a acontecer uma infinidade de vezes.

Com a ideia de Eterno Retorno, nesta acepção cosmológica, Nietzsche insurge-se contra a noção de um momento inicial do tempo afirmando a sua infinitude.2) Doutrina Ética do Eterno Retorno: a ética de Nietszche é uma ética imanente, diz respeito aos valores vitais (intensidade, força, potência) e não aos valores transcendentes e universais da moral (dever, Bem, Mal...).
Nietzsche valoriza a vida vivida intensamente, vivida ao máximo das nossas capacidades.No sentido ético, a doutrina do Eterno Retorno diz respeito à vontade humana: Se em tudo o que quisermos fazer nos perguntarmos se queremos fazê-lo uma eternidade de vezes, isso será para nós o mais sólido centro de gravidade.

Ou seja, tudo aquilo que quisermos, devemos querer que volte uma eternidade de vezes.Numa leitura do Zaratustra, este sentido ético deverá prevalecer sobre o sentido físico / cosmológico. Para Nietzsche é a Vontade de Poder que liberta o homem do niilismo passivo. O homem que é capaz de querer o eterno retorno de todas a coisas (das boas e das más) é o mais feliz dos homens, que já não vive atormentado pelo desespero do nada.

Devemos, então, viver como se tudo voltasse eternamente. Assim, se cada momento voltar uma infinitude de vezes, devemos vivê-lo o mais intensamente e alegremente possível. Amar a vida com o máximo de intensidade é o que Nietzsche entende por Amor Fati.

Assim, a ideia de um Eterno Retorno cosmológico deve ser entendida como uma mera metáfora, uma mentira poética, tanto mais que é fugazmente referida por Nietzsche em A Gaia Ciência e rapidamente desaparece da sua obra. Esta mentira poética serve para pôr em cena o pensamento ético de Nietzsche, o Amor Fati. Afirmar éticamente o Eterno Retorno é dizer: foi assim que se passou, assim eu quis.

Extraido na íntegra do blog Pequena Infante de Agatha Brandão:

Opinamundos:

Uma pergunta: Será que a vida neste planeta caído não é um mero e eterno dejavu? Onde estamos presos no feitiço do tempo, cuja chave libertadora - da roda das reencarnações como nós mesmos e não em outros corpos ou épocas - é apenas e simplesmente o AMOR?

Mas que tipo de AMOR? Amor a Deus (respeito as Leis universais de DEUS) e AMOR ao próximo, agindo com ele na mesma medida que queremos o nosso próprio bem. Jesus nos provou com sua vida e sacrifício que tipo de AMOR é este. A senha da FELICIDADE ETERNA e o Fim do Eterno Retorno.

Pensem nisso, pois ainda acho que podemos ser sábios e repetir menos o nosso retorno neste mundo caído.

Dicas de filmes que retratam esses loucos pensamentos:
1 - A Insustentável Leveza do Ser
(The Unbearable Lightness of Being)
ano de lançamento ( EUA ) : 1988
direção: Philip Kaufman
atores: Daniel Day-Lewis , Juliette Binoche , Lena Olin , Derek de Lint , Erland Josephson
duração: 02 hs 40 min
descrição
Um médico tcheco busca a liberdade sexual como forma de realização interior, mas sua utopia erótica é interrompida pela invasão soviética em 1968, que pôs fim à tentativa de liberalização do país. Dirigido por Phillip Kaufman (Os Eleitos) e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar.

2 - Feitiço do Tempo
(Groundhog Day)
ano de lançamento ( EUA ) : 1993
direção: Harold Ramis
atores: Bill Murray , Andie MacDowell , Chris Elliott , Stephen Tobolowsky , Brian Doyle-Murray
duração: 01 hs 37 min
descrição
Um repórter de metereologia parte para uma pequena cidade a fim de cobrir um evento local, mas misteriosamente fica preso no tempo, repetindo sempre o mesmo dia. Com direção de Harold Ramis (Máfia no Divã) e Bill Murray e Andie MacDowell no elenco.

Alex Campos
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Unknown

Vi não me contaram

Numa terça feira besta

em uma esquininha besta

que montado numa Vespa

bestialmente deu de cheio numa Besta

Nunca vi morte tão besta...

by Alex Campos

Mais prudência aos motoqueiros. Jamais bestifiquem suas próprias vidas, principalmente quando dela, dependem muitas outras. Paz no trânsito!

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Triste fim do amor

Início
Beijos longos, abraços e carícias incontáveis

Amor, sexo, os dois...Fluidos todos, fôlego animal
Nos conhecemos enfim?
Tanta ligação parece que sim...
Mais do mais e sempre mais
intimidade total?
mais do que normal
Mas o que houve??
Beijos nunca mais
Abraços nem pensar
Carícias e fluidos?? Agora só ruidos de dor...
Fim


by Alex Campos
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Unknown

Macaqueando


Macaqueando
(Dieno Castanho)

Dizia um macaco aos seus companheiros
sentados à sombra de esbeltos coqueiros:
"Espalham por aí estranho boato --
(mas eu não posso crer que seja fato)
-- de que o homem provém de nossa raça.
Que pavor! Que vergonha! Que desgraça!

Nenhum bicho que usa o nosso nome,
deixa a mulher e os filhos passar fome
e eu não sei de nenhuma mãe macaca
que desse aos filhos leite de uma vaca,
ou que para farrear com a macacada,
entregasse as crianças à criada.

Nenhum mono é capaz da bandalheira
de cercar um pé de bananeira
e depois de encher-se como um odre,
deixar que o alimento fique podre,
proibindo os outros monos de o provar
e obrigando-os assim a ir roubar.

Nenhum macaco força um companheiro
a trabalhar para ele o dia inteiro,
não permitindo que o coitado tome
o suficiente para matar a fome.
O homem tem caráter muito fraco --
não creio que descenda do macaco."
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