
O PMDB é autêntico teste de stress da democracia brasileira
O PMDB é autêntico teste de stress da democracia brasileira
Por Mario Sabino*
Hoje o meu filho caçula completa onze anos. A data familiar me remete a uma data nacional: em maio de 2005, eclodiu o mensalão. Lá se vão mais de onze anos, portanto, que enfrentamos a organização criminosa que se instalou no poder. E não é verdade que ninguém podia imaginar que ela andava fazendo coisa ainda pior. Tudo estava na nossa frente — o petrolão, o eletrolão e outros esquemas coligados que o PT e os seus cúmplices engendraram para roubar o país do seu passado, presente e futuro.
Tudo estava na nossa frente, mas a esmagadora maioria de nós se recusava a ver. Seja porque a economia, dopada pelo crédito abundante, parecia ir bem, seja porque havia a crença de que um governo do PT, esquerdista, era necessariamente uma etapa a ser vencida para a consolidação da democracia brasileira.
Tal crença encontrou solo fértil na sociologia tucana. O raciocínio era de que Lula, em especial, significava o teste de stress ideológico que a democracia não havia conseguido superar em 1964, com João Goulart. Quando estourou o mensalão, não foram poucos os tucanos que viram "golpismo" na forma como a imprensa tratou o escândalo. Como se a roubalheira provada e mensurada fosse um exagero das mesmas forças que impediram que o país ultrapassasse o teste de 1964. Essa mentira apregoada pelo petismo (e repetida no petrolão) florescia como verdade ainda que relativa nas cabecinhas sociológicas tucanas. Sim, roubaram, fizeram, está certo, porém a direita é demasiado moralista e…
… Onze anos mais tarde, estamos aqui, não mais com o PT, ainda bem, mas ainda com o PMDB. Esse PMDB que, desde os anos 90, cresceu à sombra da sociologia tucana e floresceu sob o manto da ideologia petista.
O PMDB, eu já disse, é endógeno ao país. O espetáculo repugnante que ele nos proporciona é mais brasileiro do que os dos partidos que o alimentaram. O PMDB existe desde antes da sua fundação. Os seus efeitos deletérios foram descritos pelo escritor Lúcio Cardoso, em 1949: “Não sei que caos é este a que se referem nossos articulistas políticos, e que, segundo eles, já se aproxima. Engano: há muito estamos nele. O Brasil é um prodigioso produto do caos, uma rosa parda de insolvência e de confusão. A verdade é que já nos acostumamos com isso, não dói mais, como certas doenças malignas.”
O PMDB é um tumor maligno que precisa nos causar dor, para que possamos vencê-lo. O PMDB é o autêntico teste de stress da democracia brasileira.
*Mario Sabino acaba de lançar o livro "Cartas de um antagonista — Jornalismo na selva selvagem brasileira", que reúne artigos inéditos.
Para comprar o livro, clique em Cartas de um antagonista
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Zeitgeist chamado Lava Jato
Como os alemães bem definiram em uma
palavra, o zeitgeist (espírito da época) que está regendo a operação lava jato,
nos apresenta uma inegável realidade. No Brasil as leis e a justiça nunca foram
para TODOS.
A impunidade no Brasil, nunca foi por
falta de leis, pelo contrário, as temos até por demais. Elas estão aí, prontas
e eficazes para igualar todos nós, como manda toda república. Mas o que antes
era uma utopia, ver grandes corruptos presos e/ou punidos e de preferência fora
da política está incomodando e muito.
Porém o mais interessante nesse
processo inédito e avassalador (alavancado em grande parte pelas novas mídias
sociais) é ver que todos aqueles que se insurgem a esse zeitgeist estão caindo
por si só. Acuados como nunca estiveram à classe política reage e se
compromete. Eduardo Cunha queria capitalizar com o impeachment da Dilma, uma
anistia a seu favor, mas não adiantou, caiu e foi preso assim mesmo. Lula quer
prender Sergio Moro antes que o mesmo o prenda, mas vê a cada dia sua
popularidade se esvair.
Os plumados tucanos se escondem nesse
governo, porem estão prontinhos para abandona-lo na primeira esquina. Mas não
vai adiantar, eles todos estão na delação da Odebrecht. De Temer a Sarney o
PMDB também está todo enlameado.
E o Renan? É a bola da vez, e que
assim seja nesse grande processo forçado pelo povo de moralização da política
brasileira. Mas o fato é: não vamos nos iludir e nem criar outros semideuses da
moralidade, isso é perigoso também.
Toda onda e espírito precisam ser
provados e distinguidos. Até o momento a onda está varrendo quem merece, e isso
é justiça. Da mesma forma e até o momento, vemos luz no fim do túnel com esse
espírito.
Por último e para provar esse novo
espírito na sociedade brasileira. Descobrimos através da dor e da tragédia que
temos povos irmãos e solidários logo ali na Colômbia, sim, naquela tal de
América Latina que não fala inglês.
Pois é, nem tudo está perdido...
Alex Campos
04/12/2016
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