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O Beijo do Batom
[Verso 1 – Lista / Pressão]
Imposto no pão
Taxa no chão
Conta que nunca fecha
Salário em prestação
Fila, senha, espera
Silêncio em nome da lei
Quem pergunta incomoda
Quem se cala vira refém
[Verso 2 – Aparências]
Microfone comprado
Aplauso por ocasião
A capa vale mais que o ato
A forma vence a razão
Pichação vira escândalo
Número vira abstração
Quando o erro veste terno
Chama-se interpretação
[Pré-Refrão]
A régua muda conforme a mão
A balança já nasce inclinada
Quem insiste em perguntar demais
Sai da foto, perde a fala
[Refrão]
O beijo do batom do medo
Pesa mais que todo rombo numeral
Dois pesos na mesma balança
Não é justiça — é teatral
[Verso 3 – Referências veladas]
Piscinas cheias de sombras
Ratos aprenderam a nadar
Proibir virou palavra elástica
Depende de quem vai falar
Há pedras lançadas em nomes
Pra distrair o olhar
Enquanto contratos sem rosto
Aprendem a passar
[Verso 4 – Ordem e medo]
Chamam medo de ordem
Chamam ordem de paz
Mas paz sem voz não é paz
É silêncio oficial demais
O grito vira ameaça
O abuso vira normal
Quando a lei troca de lado
E chama tudo de legal
[Ponte]
Se a justiça é só espetáculo
Quem julga também ensaia a sentença
Palco armado, luz na plateia
A verdade aprende a espera
[Refrão]
O beijo do batom do medo
Pesa mais que todo rombo numeral
Dois pesos na mesma balança
Não é justiça — é teatral
[Último Refrão – Crescente]
O beijo do batom do medo
Vale mais que a verdade real
Se a balança escolhe lados
Não é justiça — é teatral
[Outro]
E o povo ainda pulsa
Mesmo mandado calar
Entre números, capas e palcos
Alguém vai lembrar de pesar.
Composição: Alex Campos de Souza

