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O debate público costuma simplificar a questão tributária: “ricos pagam pouco” ou “classe média paga demais”.
📊 1. O tamanho do Estado
A carga tributária brasileira gira em torno de 32% a 34% do PIB, segundo dados da Receita Federal e da OCDE.
Isso coloca o Brasil:
- Acima de vários países emergentes
- Próximo de países desenvolvidos
- Mas com retorno em serviços públicos muito inferior aos padrões da OCDE
Ou seja: arrecada-se como país rico, entrega-se como país em desenvolvimento.
🛒 2. O peso do consumo
Segundo estudos do IPEA e dados do IBGE:
- Cerca de 40% a 50% da arrecadação brasileira vem de impostos sobre consumo (ICMS, PIS, Cofins, IPI etc.)
- Países da OCDE, em média, dependem menos desse tipo de tributação e mais de imposto sobre renda e patrimônio.
Imposto sobre consumo é regressivo.
Por quê?
Porque quem ganha menos:
- Consome quase toda a renda
- Não consegue poupar
- Paga proporcionalmente mais imposto
Já quem tem alta renda:
- Consome uma fração menor do que ganha
- Investe o restante
- Dilui o impacto tributário
Isso cria uma distorção estrutural.
💼 3. E a tributação sobre renda?
O Brasil possui alíquotas progressivas no Imposto de Renda da Pessoa Física.
Mas há dois pontos centrais:
Enquanto isso:
- Trabalhadores formais pagam IR direto na fonte.
- Pequenos e médios empresários enfrentam carga elevada via Simples ou Lucro Presumido.
- Grandes estruturas empresariais possuem mais instrumentos de planejamento tributário.
Não é ilegal. É estrutural.
🧾 4. A classe média no centro da engrenagem
A classe média brasileira costuma:
- Estar na formalidade
- Ter renda declarada
- Consumir boa parte do que ganha
- Não ter acesso a benefícios sociais significativos
Segundo dados do IBGE, a renda média da chamada “classe média” brasileira está longe do padrão internacional de middle class.
Ela financia o sistema e paga adicionalmente por:
- Plano de saúde
- Escola privada
- Segurança privada
- Previdência complementar
🌍 5. Comparação internacional
Na média da OCDE:
- Países com carga tributária semelhante investem pesado em educação básica de qualidade.
- Saúde pública cobre grande parte da população com eficiência.
- Infraestrutura logística é mais competitiva.
No Brasil:
- A complexidade tributária gera custo administrativo elevado.
- Empresas gastam milhares de horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais (dados frequentemente citados pelo Banco Mundial em relatórios anteriores).
Complexidade também é custo.
🔥 Conclusão
O problema não é apenas “quem paga mais”.
O problema é:
- Alta dependência de imposto sobre consumo
- Complexidade excessiva
- Baixa eficiência do gasto público
- Retorno social inferior ao nível de arrecadação
Enquanto o debate continuar restrito a narrativas ideológicas, a estrutura permanece.
Porque arrecadar muito não é sinônimo de governar bem.
Pensando nisso, cuide do seu voto, apoie um projeto de país que de fato pense na QUALIDADE DE GASTOS e mais do que isso; NA QUALIDADE DE VIDA de todos nós brasileiros.
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